Testemunho segundo

Enquanto rendia graças aos Céus em oração, senti minha mente se expandir. Quanto mais se expandia, mais a sentia ‘saindo do meu corpo' e as dores físicas reduzindo até desaparecerem por completo.

Foi quando escutei dentro de mim uma voz:

"Confie em mim." Sabia que era Jesus.

Minha mente seguiu se expandindo até se situar no espaço (universo) e tive a percepção da sua infinitude. Então, quando minha mente conseguiu abarcar aquela dimensão de infinitude, Jesus fez aquele espaço se ampliar muitíssimo mais, mostrando-me que havia mais para além do que minha mente havia conseguido abarcar. Quando finalmente minha mente deu conta de assimilar aquela nova dimensão de infinitude, ele a fez novamente se ampliar muitíssimo mais, e seguiu fazendo sucessivas vezes e cada vez de forma mais acelerada.

Com aquilo, soube ele queria me mostrar o quanto Deus é Grande, que tudo aquilo é sua Criação e o quanto eu podia confiar nele.

A verdade é que eu estava tensa e, de repente, ouvi o apito do aparelho que monitora as batidas do coração: “piiiiiiiiiiiiii...”

“Voltei” assustada para o meu corpo e implorei para Jesus que não estava pronta para ter uma parada cardíaca*. Por estar plenamente consciente, pensei na repercussão médica de uma parada cardíaca em mim e que poderia comprometer no tempo de saída do CTI e mesmo do hospital.

Instantaneamente me dei conta que estava querendo impor minha vontade sobre a dele, mas a verdade era que estava com bastante medo e não ia dar conta. Pedi-lhe desculpas, o aparelho retomou o barulho regular e não voltou a disparar mais. Minha mente queria continuar expandindo e eu, tensa, fiquei tentando controlar para que ela expandisse somente até o ponto no qual eu ainda conseguisse sentir meu corpo deitado naquele leito.

Sentia-me imensamente feliz por poder passar a noite com Jesus. 

E ele me mostrou outras coisas.

Antes de internar, tinha avidez por compreender como Jesus podia usar um sofrimento meu a ele oferecido voluntariamente para salvar almas. Desejava entender como que o 'oferecimento de um sofrimento' se conectava com a 'salvação de uma alma'  sendo ambos aparentemente tão distantes e diferentes um do outro.

Para minha surpresa, Jesus disse que ia me explicar como o sofrimento que lhe entrego era usado para salvar almas. Disse que quando alguém sofre na Terra está na verdade caminhando até Deus por meio da dor e que desta forma era possível se chegar ao 'grande amor' dentro do coração. E que esse grande amor é que se une ao Grande Amor de Deus. De modo que o sofrimento e a dor são na verdade AMOR, estão dentro do AMOR. Por isso que muitos eram salvos mediante o sofrimento meu entregue a ele. Disse também que o meu sofrimento representava para ele o sofrimento de muitos.

Em seguida, senti uma “turbulência” real em meu leito. Ele disse que eram trovões e vi que havia começado uma chuva torrencial numa outra dimensão escurecida. A chuva caía sobre muitas pessoas que estavam deitadas e lamacentas. Elas se levantavam molhadas, limpas pela chuva e empreendiam uma caminhada adentrando em solo firme na direção de um feixe alargado de luz branca que descia do alto, no qual iam sendo resgatadas por anjos.

Ele disse:

“Isso é o que acontece quando você ora para os que estão no purgatório. São resgatados e salvos.”**

Eu estava em profundo júbilo por estar em sua presença.

Ele disse:

“Você está no CTI descansando em mim.”

Eu encontrava-me ali literalmente com o corpo físico deitado e recuperando-me.

Disse:

“Você vai sair deste descanso em mim e vai retomar a sua vida, porém comigo.”

Eu percebia meu corpo físico acamado e via que ele, Jesus, retinha meu corpo espiritual deitado numa maca e velava ao meu lado enquanto passava as mãos suavemente sobre meu corpo, como que dizendo: “Está tudo bem, fique quietinha, repousando, eu estou aqui." Mostrava-me que "reteria tanto meu corpo espiritual como o físico descansando nele”.

Estava fisicamente em êxtase e espiritualmente em completo júbilo, pois havia me encontrado finalmente com o Senhor. Enquanto ele dizia para eu descansar, meu espírito estava acamado junto a ele querendo retê-lo desesperadamente à vista, com um sorriso que mal me cabia e mexendo os pés ansiosamente, pois me sentia pronta para a qualquer momento saltar da maca e começar a servi-lo.

Naquele estado jubiloso do meu espírito compreendi mais uma vez o quanto era interessante e novo o fato de eu me encontrar num leito de pós-operatório vivendo tudo aquilo fisicamente, mas com a alma alegre, leve e ainda por cima, adorando-o.

Jesus então mencionou a palavra ‘consagração’.

Eu não sabia o significado desta palavra, sabia apenas que relacionava ao cristianismo. Pensei que não podia  estar imaginando aquilo tudo, pois jamais falaria para mim aquela palavra e tão logo que possível a consultaria no dicionário.

Ele disse:

“Você vai me entregar um novo sofrimento, um que até então não entregou.”

Eu lhe entregaria uma nova dor.

Mostrou-me meus dois filhos. Em seguida, mostrou o mais velho já rapaz. Fiquei encantada. Busquei o mais novo, pois queria vê-lo rapaz também até que o “achei”. Meu coração se alegrou. Eram meus dois filhos muitíssimos amados e fontes da minha mais recente preocupação: a evangelização.

Jesus então mostrou meu esposo, ateu veemente (em todas as oportunidades em que havia tentado semear em meus filhos algo a respeito de Deus, ele as havia lançado por terra, o que me entristecia).

Disse:

“A dor que permitirei a seu esposo viver por meio do seu sacrifício pessoal em permanecer mais tempo no hospital, afastada dos seus por tempo indeterminado, fará com que ele aceite Deus. E isso salvará sua alma e a dos seus filhos, pois serão evangelizados.”

Jesus, naquele momento, me colocava diante de mim mesma para que eu escolhesse se estaria disposta a sacrificar a mim pela conversão do esposo.

Meu coração doeu muitíssimo, pois o que mais desejava era sair do hospital para reaver meus filhos e, diante de uma situação como aquela, teria de pegar fôlego para seguir ali por tempo indeterminado, sem horizonte. Aquilo doeria fundo na minha alma. Constituía enorme sacrifício.

Detive minha atenção por alguns instantes no esposo e senti grande amor. Conclui que ele merecia, no altar do meu coração, conhecer Deus tal como eu estava conhecendo.

Jesus abriu um sorriso. Disse:

“Em meu coração você me faz felicíssimo por esse gesto. Eu não esperava de você nada diferente disto que está me mostrando.”

Compreendi que mediante um sacrifício pessoal meu, entregue a ele, teria os meus três queridos salvos, no caminho do Senhor.***

Assim, eu desfrutava extasiada sua presença, que era apenas espiritual. Meu desejo era de ajoelhar-me diante dele, mas não podia nem fisicamente nem em espírito.

Meu coração transbordava de júbilo enquanto via uma luz dourada muitíssimo forte sobre mim. Fiquei contemplando-a extasiada enquanto agradecia emocionada. Lágrimas escorriam abundantemente dos meus olhos físicos.

Eu lhe disse:

“Jesus, que bom que finalmente o encontrei. Agora ficou claro para mim toda minha trajetória nesta vida, principalmente a busca insaciável e incansável da minha alma por algo a mais, que me preenchesse. Mas eu não sabia que afinal buscava era a ti. Agora tudo faz sentido.”

Compreendi, naquele momento, que era realmente preciso querê-lo muito para encontrá-lo. Eu o havia querido a minha vida toda, mas não tinha consciência disto! Que bom que ele havia tido misericórdia e viera até mim. 

Naquele momento reconhecia também a enorme fome e sede que eu tinha de Jesus e das coisas dele.

Implorei:

“Agora que o encontrei, por favor, não me deixe perdê-lo jamais. Este é o único desejo do meu espírito para todo o sempre.”

Ele respondeu:

“Assim como você me foi fiel durante todos esses dias no hospital, eu lhe serei fiel e não a abandonarei mais.” ****

Difícil descrever o que senti. Estava em completo êxtase espiritual, pois Jesus era tão belo e generoso e tudo o que ele quer é que o queiramos e o busquemos.

Foi impressionante a força majestosa que ele exerceu sobre meu espírito. Senti uma necessidade imperiosa de me curvar diante dele e reverenciá-lo, adorá-lo e louvá-lo de todo o meu coração.

Eu era dele para todo o sempre.

Nota de rodapé:

*Recordei de uma acompanhante que havia sofrido um infarto – no qual tivera um encontro com Nossa Senhora - e que devido ao sofrimento hospitalar temia sofrê-lo novamente.

** O que me ocorre ao escrever estas linhas é quão sério e digno de ser meditado e colocado em prática pelo maior número de pessoas possível é a oração às almas que se encontram no purgatório.

***Após a alta e de volta ao lar compreendi que a grande dor e o grande sacrifício que aceitara oferecer a Cristo constituía em consagrar minha vida conjugal e familiar pela conversão do esposo e de toda a família.

****Desde o início da internação assumira um compromisso com Jesus de ler num mesmo dia e horário da semana em voz alta um livro que tratava ao seu respeito independente do paciente e acompanhante que estivessem no outro leito e minha internação durou 85 dias.

(Do livro Renascimento e Vida em Cristo)

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